Sexta-Feira, 20 de Abril de 2018

Governador que não paga salário da polícia recebeu 10 milhões em propina da JBS

Governador que não paga salário da polícia recebeu 10 milhões em propina da JBS
Governador que destruiu o estado do Rio Grande do Norte é investigado pela Operação Lava Jato
por Redação 0 Comentários

A Lava Jato está no encalço do governador e de seu filho por denúncias de corrupção.

O governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria (PSD), não resolve nada. Chama Forças Armadas, manda prender policiais, decreta calamidade, mas, pagar os salários atrasados, que é o que os servidores querem, isso ele não faz. Em negociação nesta sexta-feira, o governador irritou os policiais e demais servidores ao não comparecer à reunião e enviar uma proposta de pagamento de apenas um mês de salário, somente no dia 12 de janeiro. O governo, que está com seu salário em dia, deve aos servidores novembro, dezembro e o décimo terceiro salário.

O descalabro do governo Robinson Faria é tão grande que o Rio Grande do Norte também está em situação de calamidade na Saúde Pública e no Sistema Prisional do Estado. Além disso, 153 cidades também estão em situação de emergência por causa da seca. Faltam providências. A vigência do decreto de calamidade será de 180 dias a serem contados a partir deste sábado (6).

Os policiais, que se consideram aquartelados por falta de salários e condições de atuação, denunciam que o governador não faz nada para pagar os salários e nem garante o mínimo de condições de segurança para as atividades dos policiais e para a população. Faria está em confronto aberto com as forças de segurança do Estado. O comandante da Polícia Militar, Coronel Osmar Maciel, ponderou que não adiantam as punições. “Há que se resolver a questão salarial”, disse.

Para que o nosso leitor refresque sua memória, de quem é o governador do RN, ele seu filho, Fábio Faria (conhecido como “garanhão”), são investigados pela Operação Lava Jato por denúncia de recebimento de R$ 10 milhões em propina da JBS em troca da privatização da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern). É este político que está dando calote nos servidores. Ricardo Saud, ex-diretor de relações institucionais da JBS, disse, em depoimento, que parte dos recursos pagos aos Farias, foi feito através de doação de campanha e em ‘dinheiro vivo’. Em setembro o STF, por decisão da ministra Rosa Weber, autorizou a abertura de inquérito pedido por Rodrigo Janot contra o governador e seu filho. A Polícia Federal chegou a fazer busca e apreensão na sede do governo do Rio Grande do Norte.

Uma outra parte do dinheiro, acrescentou Saud, foi paga em “dinheiro vivo” e o restante através de notas fiscais. Ele disse que foram pagos R$ 1 milhão no dia 3 de outubro de 2014 “carimbado” ao PSD; R$ 1 milhão no dia 17 de outubro de 2014 também ao PSD nacional; R$ 2 milhões em notas fiscais avulsas em 9 de setembro de 2014; R$ 1,2 milhão no dia 22 de agosto de 2014 a um escritório de advocacia; e outros R$ 957.054 foram obtidos em um supermercado em Natal. Segundo o executivo da JBS, o próprio deputado federal Fábio Faria foi buscar esse último montante.

Saud informou que a empresa pagou os R$ 10 milhões ao governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria (PSD), e ao filho dele, o deputado federal Fábio Faria (PSD) em 2014. Em troca, os dois políticos teriam firmado o compromisso de privatizar a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern), além de facilitar a participação da J&F na privatização da estatal. “Eles procuraram a gente, nós fizemos um jantar na casa do Joesley”, acrescentou Saud.

A defesa de Faria chegou a contestar a versão e incluiu na petição um trecho de áudio de Whatsapp enviado pela mulher de Joesley Batista, Ticiana Villas Boas, a Patrícia Abravanel, filha de Silvio Santos, casada com o deputado Fábio Faria. Na mensagem de voz, Ticiana diz achar “um absurdo isso tudo que está acontecendo”. “Aquele jantar, imagina só, não tem nada a ver do que falaram, foi um jantar normal, eu não vi nada de dinheiro, de nada que beirasse ser ilícito. Se você for chamada para depor ou tiver qualquer tipo de implicação para você, eu sou sua testemunha de defesa e vou deixar claramente que é um absurdo”, afirmou Ticiana na mensagem.

Em nota divulgada na época, Ticiana Villas Boas confirmou o envio da mensagem, mas deu a entender que o contexto era diferente do mencionado pelos advogados de Fábio Faria. “Como revela o áudio, nem ela nem Patrícia, durante o período em que estiveram juntas no jantar em sua casa, presenciaram qualquer conversa com conteúdo ilícito. Em vários momentos do encontro, no entanto, os casais se dividiram em grupos de homens e mulheres, e Ticiana imaginou que Patrícia, assim como ela, não sabia que nas conversas entre os maridos eles trataram de propina”, diz a nota.